Senhora dos Anéis Senhora dos Anéis

Senhora dos Anéis

Meu primeiro anel

... foi um de anel de coco (!), sim, você leu anel de coco, aquele que a gente encontra nas feirinhas hippie (por falar nisso, que saudades de uma feirinha!). Não importa aonde eu estivesse, eu adorava passear no final da tarde e admirar o artesanato local, especialmente as bijuterias, mas também incensos e óleos essenciais... Às vezes, fecho os olhos e me vejo caminhando pelas feirinhas; sinto o cheiro de jasmim, da laranja doce, do patchuli... Uma memória que carrego comigo com muito carinho.

Mas o anel que eu tenho a lembrança mais significativa foi comprado em uma feira hippie, no litoral de São Paulo, era uma barraquinha de acessórios indianos. Na verdade, esse anel foi presente de aniversário de uma amigona: era de prata com uma pedra da lua oval. Eu sempre admirei pedra da lua, mas fiquei fascinada depois que eu li os livros da saga “As Brumas de Avalon” (Marion Zimmer Bradley, 1979). Eu tinha 12 anos e imaginava um dia encontrar aqueles amuletos usados pelas bruxas e fadas, que o livro descrevia tão bem.

Quando eu vi esse anel, foi como um imã, uma atração mútua. Que sorte a minha, foi um encontro, e era meu aniversário. Tenho ele comigo ainda hoje...

 

Meu primeiro anel de Fada


Um anel é bom, dois ou mais é maravilhoso

Sempre fui apaixonada por anéis, mais do que qualquer outro acessório. Tanto que tenho uma tendência enorme a criar mais anéis do que qualquer outro acessório para o Atelier. Tenho que me concentrar para não sair criando tudo que eu imagino.

Acredito que um pouco desse encanto dos anéis é porque eu gosto de observar e admirar mãos... Especialmente as femininas. Quando eu era criança, lembro de ficar encantada com as mãos da minha madrinha – ela tinha as unhas bem feitas, usava esmalte vermelho e vários anéis nos dedos. “Aquela criança”, olhava com tamanha admiração, e pensava um dia eu seria igual a ela... terei as mãos cheias de anéis e unhas lindas !

Foi na minha primeira aula de ourivesaria que eu fiz meu primeiro anel: o modelo era o da antiga aliança Cartier, com três aros entrelaçados. Guardo ele até hoje, está no meu porta-joias. Fui aprendendo, até chegar no anel com meu design: era um anel grande, uma peça toda desenhada com uma pedra turquesa linda... E adivinhe? Eu amava usá-lo quando pintava as unhas de vermelho!

Talvez minha paixão pelos anéis esteja conectada às mãos. Pensei nisso, enquanto escrevia esse post. Eu acredito que as mãos sejam grandes conectores entre o nosso universo interno e o externo. Transmitimos (e recebemos) muito através delas - desde as coisas físicas às etéreas. Como os meridianos da acupuntura, é através das mãos que sentimos o toque de um carinho, um sincero aperto de mãos, uma comida saborosa feita com amor, admiramos um bordado, o som emocionante de um instrumento musical, e no meu caso, a cerâmica e as aquarelas, duas outras maneiras de expressar e conectar meu interior como exterior, através das mãos. As mãos têm essa força.

 

Diretamente do meu porta-joias, com as unhas pintadas de vermelho em homenagem a minha madrinha

 

Aqui reside uma parte da minha história

 

Infinito e Universo Particular

Ainda que existam anéis com design quadrado, os anéis estão relacionados ao formato do círculo - a forma geométrica mais perfeita e análoga ao infinito. Há milhares de anos a aliança é usada como símbolo de compromisso entre duas pessoas (derivada do latim, alligare, remete à ligação com algo ou alguém). Foi no século 9 que o Papa Nicolau I instituiu as alianças como símbolo do amor, fidelidade e compromisso, e tradição segue... A aliança de noivado deve ser usada na mão direita e a de casamento na esquerda. Em ambos os casos, no dedo anelar, pois acreditava-se que esse dedo tinha uma veia ligada diretamente ao coração.

Não são poucas as histórias, lendas e mitos sobre os anéis como adereços ou artefatos de compromisso ou poder, e mesmo um significado espiritual. Segundo os orientais, cada dedo está vinculado a um centro de energia ou chacras.

Vejam que interessante: o dedo mínimo está ligado ao chacra sexual, demonstra que a sexualidade tem um papel muito importante na sua vida; já quem tem preferencia de usar anéis no dedo anular demonstra bondade, alguém que se preocupa com outras pessoas, que preza pelo amor e pela família, e tem ótima capacidade de expressão. Quem prefere anéis no dedo mediano é um indicativo de que a pessoa é mais receptora do que doadora, pois é desse dedo que entram e saem as energias sutis. Ah, e o dedo indicador? Este dedo está associado ao chacra laríngeo e indica poder; quem usa anéis neste dedo revela que é do tipo dominante. E finalmente, ainda que não seja muito comum, anel no polegar? Pode! Esse dedo está associado ao chacra localizado no alto da moleira o que significa apreço ao conhecimento espiritualista.

Diante dessas informações e significados dos anéis, fiquei pensando nos anéis para os dedos dos pés, muito comuns na cultura indiana e asiática. E os piercings? Não seriam também anéis? O que você acha? Gosta?

Assunto para um próximo post :)